terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Era hoje...


Era hoje... a esta hora estaríamos dentro do voo da Emirates com destino ao Dubai e amanhã à tarde chegaríamos a Luanda... não consigo deixar passar esta data em branco.
 
Sim, é verdade! O bichinho que fica a quem conhece África ficou por cá... já sinto saudades do clima, das pessoas e de outras coisas... mas não faltarão oportunidades de lá ir fazer uma visita! Há que pensar positivo!!!
 
Tenho recebido várias mensagens a questionarem-me sobre o porquê desta decisão de voltar... desculpem por não ter respondido mas queria escrever algumas palavras aqui sobre tal.
Começo por dizer que foi uma decisão pensada, mas muito difícil de tomar. Se foi a certa? A melhor? Não sabemos! Foi a que a vida permitiu na altura e dadas as condições que tínhamos.
 
Assim, aqui ficam algumas das razões porque voltámos:
- Saudades da família (o desejo de que os meus filhos aproveitem os avós e, eu e o R, os pais.)
- Saúde (nunca tive seguro de saúde para os miúdos e era um assunto que me preocupava bastante. Por um lado tinham-se acabado os narizes ranhosos e as bronquiolites, mas por outro lado uma febre deixava-me sempre alerta com receio do paludismo e outras coisas complicadas e típicas de Angola.) 
- Educação (quando cheguei não consegui vaga na Escola Portuguesa de Luanda e como tinha 4 filhos em idade escolar, decidimos inscrevê-los no ensino angolano. Isto porque todos os colégios com ensino português são muito caros e no meu caso era incomportável. Entretanto fui-me apercebendo das lacunas do ensino angolano relativamente ao português e, principalmente, no caso dos meus filhos mais velhos, eles estavam cada vez mais atrasados e isso também me preocupava. Quero salientar, no entanto, que existem vários aspetos no ensino angolano que eu adorei! O respeito pelos professores foi um deles!)
- A burocracia dos vistos era de deixar qualquer um de cabelos em pé e de bolso vazio (imaginem vezes 10 e uma vez por ano!)
- A viagem que fazíamos a Portugal uma vez por ano dá para o pai Rui vir visitar-nos mais vezes, nem que seja por um fim-de-semana e quase uma vez por mês.
 
Estas são as nossas razões e que, neste momento, pesaram mais do que estarmos todos juntos, mas também só nós sabemos o quanto custa a família estar afastada. A esperança de um dia estarmos novamente juntos (aqui em Portugal, em Angola ou em qualquer outro lugar do mundo!) é o que nos ajuda a acordar todos os dias com um sorriso e nos dá força para continuar em frente... sempre!
 
Sei que alguns que nos seguem contam juntar-se à família em Angola (não desistam!)... outros ainda estão a pensar o que fazer... alguns já se juntaram... e outros não têm alternativa a não ser estarem separados... cada caso é um caso e cada família é única... e desculpem dizer-vos mas não se podem comparar com esta, pois aqui tudo é a multiplicar por oito, quer as alegrias quer as tristezas, quer as preocupações... e emigrar com esta malta toda (conhecem alguém?) não foi fácil mas foi e será sempre a mais rica experiência da nossa vida... até agora!!!
Por isso, não desistam nunca... nós continuamos a lutar pelo nosso lema:
 
"As famílias têm que estar juntas!"


 

Aqui fomos muuuuito felizes!

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ano novo, vida nova!


Mais de um mês depois do último post estou de volta... temos andado mais pelo facebook (basta procurar Britos em Angola) e lá tenho publicado algumas fotos das nossas férias, do Natal e deste tempo em Portugal.  No entanto, hoje não podia deixar de passar por aqui... porque no último dia do ano temos sempre a tentação de fazer balanços, criar objetivos e sonhar com algo diferente para o novo ano... mesmo que depois a vida nos troque as voltas! Mas de outra forma também não tinha graça!
 
Claro que para os Britos este não foi um ano fácil, mas foi vivido com intensidade. Algumas tristezas e contratempos, mas acima de tudo a graça enorme que foi o nascimento do Zé Maria! E o crescimento de cada um dos outros Britinhos!
E foram tantas as coisas que aconteceram este ano que era difícil enumerá-las, mas o que fica é este projeto de família que não pára de crescer e que nos dá noites sem dormir em proporção muito menor aos sorrisos e alegrias. Estas sim, se as colocássemos em notação científica tinham um expoente bem elevado!!! (Estou mesmo a precisar de voltar a dar aulas!)
 
E neste ano que chega começa uma nova etapa na nossa vida: o regresso de novo a Portugal! Uma decisão difícil e muito pensada... que um dia saberemos se foi a mais acertada...
Assim, a família vai ficar dividida entre Luanda e Oeiras, uma vez que o pai Rui vai continuar a trabalhar em Angola. Apesar de distância nunca estivemos tão unidos como agora... e fica sempre uma porta aberta para um futuro todos juntos!
 
Para 2015 os meus desejos são acima de tudo dirigidos aos meus... meus filhos, meu mais que tudo, meus pais, meu irmão, meus sobrinhos, meus restantes familiares e meus amigos... muita saúde, muitos sonhos concretizados e tudo de bom!
 
E a todos os que seguem o blog (que também são amigos, claro!) em Portugal e em Angola desejo um ano cheio de coisas boas com tudo a que têm direito e muito mais! E acima de tudo com a consciência de que todas as decisões que tomaram e ainda vão tomar são sempre na estrada da felicidade... estrada esta que tem muitos buracos... mas que nos leva ao nosso destino... sempre!
 
Um beijo do tamanho do mundo para todos dos Britos e Britinhos!!!
 
 
P.S. Um pedido de desculpas a todos os que me enviaram mensagens e eu, por alguma razão, não respondi ou respondi muito tarde... o meu dia devia ter mais horas! Prometo ter mais tempo para vocês... mas não sei se vou conseguir cumprir :)))
 
O blog vai continuar agora com os dias de uma mãe de 8 filhos com o pai no outro hemisfério e com tudo o que isso implica... vai ser melhor que novela mexicana!!!
 
 
 
 
 
Aqui ficam algumas fotos do melhor do nosso 2014...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Procuram-se!


Procuram-se adolescentes!!!

Requisitos:
- sempre sorridentes e nunca com ar enjoado;
- sem resposta na ponta da língua para tudo, a não ser "sim, mãe querida";
- que tenham sempre os quartos arrumados, ou seja, sem roupa por todo o lado misturada com telemóveis, carregadores, jogos de PS e afins, sapatos e meias mal cheirosas e outras coisas;
- que se voluntariem a tomar banho todos os dias e não apenas "banho em perfume";
- organizados e estudiosos, sem recados na caderneta, sem faltas disciplinares e que não culpem os professores por uma nota menos boa;
- que não achem quase tudo "uma seca", exceto estar com os amigos;
- que não dominem tudo o que são novas tecnologias, principalmente aquelas que, nós pais, não "capichamos nada";
- que nunca mintam, a não ser uma vez de 3 em 3 meses e por "caridade aos pais";
- que ajudem nas tarefas domésticas sempre com um sorriso (pode até ser amarelo) e no fim ainda perguntem "precisas de mais alguma coisa, mãe?"
- que não passem a vida a compararem-se com os amigos a, b ou c que têm o último grito da tecnologia e tudo o que é roupa de marca. Em vez disso olhem para os amigos que têm menos e agradeçam de coração o que têm;
- que não façam "aquela cara" quando nos perguntam se no nosso tempo já existia telemóveis, facebooks e coisas do género e nós respondemos "NÃO";
- que nas festas de família deixem a mãe escolher a roupa sem pestanejar;
- que quando fizerem o pedido no Mc Donalds peçam a sopa do dia,
- que façam da semanada, mesada;
- que puxem o autocolismo SEMPRE;
- que quando atacarem a dispensa deixem o último pacote de bolachas para os pais;
- que consigam, uma vez por mês, dar razão aos pais e não só aos amigos;
- que tenham no seu dicionário as palavras "amar" e "partilhar" e só andem à estalada com os irmãos uma vez por ano; 


Espera lá... estou a falar de adolescentes... esqueçam o anúncio... 
NÃO VOU ENCONTRAR!





Estes são os de cá de casa!



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

30!!!


É oficial... estamos em contagem decrescente! Daqui a um mês os Britos aterram em Lisboa... iuuuupiiiiiii!!!
E nesse dia vamos matar saudades, dar beijinhos e abracinhos, apresentar o Zé Maria à família e aos amigos, vestir casacos, calçar botas, usar chapéu de chuva, cheirar a rua e a nossa casa, comer a "nossa" comidinha e quem sabe castanhas assadas, ver as iluminações de natal e sentir o espírito da época mais aguardada do ano e depois... descansar!
Estamos a contar os dias!!!



Entretanto, por aqui também chegaram às lojas e supermercados os enfeites de natal. 
No ano passado não chegámos a decorar a casa pois fomos mais cedo para Portugal, mas este ano resolvemos comprar uma nano-mini árvore de natal. As mais novas deliraram! Quero ver quando reverem a árvore que vamos montar em casa... vão achá-la gigante!

Confesso que de havaianas no pé, ainda não senti a magia do natal. Por aqui sinto-me quase há dois anos em férias de verão! Para mim, natal é e sempre foi com frio (às vezes chuva), à lareira e com muita roupa vestida. Quem sabe um ano passo o natal com calor e talvez goste!

Vejam se combina... árvore de natal com manga curta :)




(um segredo bem guardado: a árvore, as 6 bolas vermelhas, as 6 bolas douradas e as 50 luzes foram compradas no supermercado Kero e custaram 500 Akz, ou seja, cerca de 3,5 euros... estou a ficar pró em poupanças!!!)



E agora contem connosco... 30, 29,...

sábado, 15 de novembro de 2014

Final do ano letivo 2014


O ano letivo 2014 está a terminar e hoje foi dia de Festival de Encerramento. 
O tema deste ano foi "Fraternidade à 3ª idade" e, assim como no ano passado, para além das danças, canções e peças de teatro realizadas pelos alunos, os pais foram convidados a contribuir para instituições de ajuda à 3ª idade. Hoje todos os alunos tinham uma t-shirt alusiva ao Festival que se comprava no colégio. Uma parte das vendas reverte então para algumas instituições.  
Acho uma ótima ideia! Nem que seja uma vez por ano!

Este ano quem esteve hiper-mega-super contente foi a Francisca pois foi o seu primeiro ano no Colégio. E está uma crescida pois já vai para a 1ª classe!

As manas M e C e o mano ZM adoraram vê-la e divertiram-se imenso!













quarta-feira, 12 de novembro de 2014

E duram... e duram...


Não, não são as pilhas duracell!
São as jardineiras OshKosh de ganga que têm precisamente 14 anos e que nunca deixaram de estar a uso, uma vez que tenho sempre bebés a usá-las... seja menino ou menina! Se as lavar 3 vezes por mês (às vezes são mais) e fazendo as contas, as jardineiras foram à máquina  504 vezes!!! E as molas entre pernas ainda fecham e a ganga ainda não rasgou e, assim, a única diferença é a cor da ganga... está mais clara, mas muito cool!

Ainda me lembro do Bernardo com elas vestidas e adorar o ar de "miúdo com pinta" (só não coloco uma foto porque as fotos desse tempo estão em Portugal). As miúdas também ficavam o máximo de jardineiras e com umas golinhas por baixo. 
Pensando bem deve ser a peça de vestuário mais usada e onde o dinheiro foi bem empregue! Não... não sou patrocinada pela marca!!! Mas digam lá ao dono da OshKosh que não me importava nada!!!

E aqui fica o ZM... a mim só me apetece comê-lo, enchê-lo de beijos e dar-lhe uma valente tareia de cócegas!!!










terça-feira, 4 de novembro de 2014

Novos emigrantes


Há uns dias, cruzei-me com duas mães portuguesas que estão a trabalhar em Luanda. Uma está cá há quase dois meses e outra apenas há uma semana. Até aqui nada de novo... tudo normal. Com o decorrer da conversa percebi então que começa a existir uma nova realidade no que diz respeito à emigração: as mães que vêm trabalhar para este país e deixam os filhos com os maridos em Portugal. Ou seja, o inverso do que nos aconteceu a nós, Britos. 
O que nos une, no entanto, é o mesmo: a procura de uma vida melhor, mais desafogada e um futuro mais sorridente para os nossos filhos!
O tempo record que tive sem ver os meus filhos foram 18 dias. Foi em Agosto de 2012 quando vim conhecer Angola de modo a decidir se podíamos todos juntar-nos ao R. E digo-vos que foi bom, mas ao mesmo tempo estranho e com muitas saudades pelo meio. Por isso aqui fica a minha admiração por estas mães que vêm em primeiro lugar e que, de certeza, morrem de saudades, e sonham com o dia em que o marido e os filhos se juntam a elas neste país distante. E fica aqui também a minha admiração por estes pais que ficam em Portugal e vão levar e buscar os filhos à escola, fazem o jantar durante a semana e todas as refeições ao fim-de-semana, contam histórias e dão beijos de boa noite e acima de tudo, tentam minimizar as saudades e a falta que as mães fazem aos filhos (e olhem que são muitas!).



Deixo-vos aqui umas fotos de um Dia do Pai em que o pai não estava pois já estava a trabalhar em Angola. A C e a F fizeram os presentes e deixaram uma mensagem para o pai. Eu fotografei e enviei-lhe as fotos de modo e encurtar distancia e saudades... parte difícil esta!







É curioso perceber como os miúdos lidam com as saudades... e estas frases escritas no mesmo dia mostram isso. Para a C parece que o pai ainda morava em casa e estava lá todos os dias... para a F as saudades talvez estivessem mais presentes. 
Os miúdos são todos diferentes e o modo de verem as coisas também. Há que respeitá-los! Aconteceu várias vezes os mais velhos não quererem falar com o pai no skype (ou dizerem apenas olá) e as mais novas ficarem horas a fazer caretas e palhaçadas para ele ver. 
Da minha experiência acho que o mais importante é explicar-lhes tudo e não esconder nada. Mesmo aos mais novos que achamos que não percebem nada e aos mais velhos que achamos que percebem tudo. É importante também analisar comportamentos e ver se algo diferente se passa. Falar nas escolas com educadoras e professoras e explicar a situação. Eu pedi para ao mínimo sinal de alerta (comportamento alterado, baixa no aproveitamento escolar,...) me avisarem. Sempre correu tudo bem e senti sempre apoio da parte das escolas.
Novos tempos, novas realidades... mas parece que algo se repete. Há umas décadas atrás muitos homens também emigraram e deixaram as mulheres e os filhos e só mais tarde se juntavam todos. Nós, emigrantes de agora, temos que aproveitar o que de melhor a tecnologia nos dá. Telemóveis, skype, facebook, viagens low-coast (estas por aqui ainda não existem!). Já pensaram se fosse só por carta?

De resto, a vida continua... e todos temos uma capacidade de adaptação fora de série! Principalmente as crianças... e nos momentos em que estavamos todos juntos era como se fosse Natal e dia de festa todos os dias!